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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Personal (Digital) Learning Environment

Na minha perspectiva, um PLE será o conjunto de todas as situações, ferramentas e serviços que um indivíduo utiliza no seu processo de aprendizagem, consciente ou inconscientemente, em contexto formal, não formal ou informal. Neste sentido, as aprendizagens ocorridas em interação social presencial ou através de livros ou outros documentos físicos, farão também parte do meu PLE. Por essa razão, preferi chamar ao que apresento abaixo, o meu Personal Digital Learning Environment.
Num individuo extremamente organizado, poderíamos esperar que se pudesse representar o seu PLE pelo Desktop do seu PC e pela barra de favoritos do seu browser, mas isso poderia não ser suficiente. Afinal, o desktop é um espaço personalizável à medida do seu utilizador, assim como a barra de favoritos, o que personifica a concepção de PLE, amplamente discutida e que, apesar de alguns consensos, apresenta também “… uma diversidade de perspectivas e enfoques que tornam difícil chegar a uma única definição estável e que albergue toda essa diversidade.” (Mota, 2009).
O esquema abaixo apresentado está organizado segundo 6 perspetivas do meu processo de aprendizagem: pesquisa, partilha, comunicação, debate, construção de artefactos e armazenamento da informação. Cada perspetiva apresenta as ferramentas ou serviços utilizados normalmente para cada fim específico.




REFERÊNCIAS:
Mota, José (2009). Personal Learning Environments: Contributos para uma discussão do conceito. In Educação, Formação & Tecnologias, vol.2 (2); pp. 5-21, Novembro de 2009. Disponível em: http://eft.educom.pt/index.php/eft/article/view/105/66.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Personal Learning Environment – Bibliografia anotada




Attwell, G. (2007). Personal Learning Environments - the future of eLearning?.  ELearning Papers Vol 2, Nº 1, January 2007. Disponível em: http://www.elearningeuropa.info/files/media/media11561.pdf

Descrição: Artigo sobre o papel central dos personal learning environments (PLE’s)  na aprendizagem do futuro, sendo uma questão pedagógica e não técnica, embora reflexo da evolução tecnológica. Os PLE’s são uma nova abordagem da utilização das TIC na educação e revolucionam o papel dos professores e dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem.
O autor refere a questão da validação da aprendizagem informal já reconhecida pela maioria dos países europeus que encontraram formas para efetuar o seu reconhecimento, considerando que a aprendizagem formal representa apenas 20% das aprendizagens adquiridas para o desempenho profissional. Apesar disso, tem sido dada pouca importância a este tipo de aprendizagens no âmbito das tecnologias da educação. Em contraponto, os PLE’s vêm permitir a inclusão de todo o tipo de aprendizagens e de todos os estilos de aprendizagem, uma vez que é personalizado pelo próprio estudante consoante as suas necessidades e expectativas. A utilização das ferramentas da Web 2.0 veio facilitar a partilha, a pesquisa, a produção de artefactos, a discussão, o trabalho colaborativo, tudo como forma de construção de conhecimento. O estudante constrói o seu PLE, escolhendo as ferramentas e os serviços que considerar adequados ao seu processo de aprendizagem, seguindo as orientações do professor ou na perspetiva da aprendizagem autodirigida, mas sob o seu controlo. Os PLE’s conferem mais responsabilidade e mais autonomia aos estudantes e conjugam o papel das escolas com o mundo exterior, real.
O autor refere ainda várias instituições de ensino e empresas que incentivam os seus estudantes e trabalhadores a utilizarem ferramentas da Web 2.0, nomeadamente os blogues, como forma de aprendizagem na ótica do trabalho colaborativo.

Avaliação: Este artigo é bastante claro quanto ao papel dos PLE’s no novo paradigma educacional, reflexo do novo paradigma social.
A sociedade atual coloca no individuo a responsabilidade pela manutenção da sua empregabilidade, obrigando-o a seguir o ritmo alucinante da evolução tecnológica. Nestas circunstâncias, a perspetiva da aprendizagem ao longo da vida torna-se uma questão premente. Habilitar os estudantes a saberem construir o seu percurso de aprendizagem é fornecer-lhes ferramentas para, no futuro, poderem continuar a sua formação de forma autónoma e responsável.

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Nascimento, M. A. (2012). Personal learning environments: um pretexto para (re)pensar a aprendizagem em plataformas digitais. In Monteiro, A., Moreira, J. A. & Almeida, A. C. (2012). Educação Online: pedagogia e aprendizagem em plataformas digitais (pp. 97-109). Santo Tirso: De Facto Editores.

Descrição: Capítulo VI do livro referenciado. A autora pretende questionar, fundamentar e clarificar a mudança que o modelo de personal learning environments (PLE’s), em conjunto com a Web 2.0 e o e-learning 2.0, está a causar no paradigma de ensino e aprendizagem. Começando por apresentar uma conceção de PLE a autora verifica, apesar da diversidade de perspetivas, existir uma tendência para “… a enfâse na reunião das componentes humana (pessoas e comunidades) e material (ferramentas e recursos) interagindo de um modo informal e solto.” (p. 98). Desta forma, os PLE’s apresentam a vantagem de integrar “… aprendizagens formais e informais, interesses pessoais e profissionais, trabalho individual e colaborativo…” (p. 98) ao mesmo tempo que “… permite diferentes tipos de concretização e implementação, articulando com variadas abordagens pedagógicas.” (p.98).

É apresentada a construção do PLE como o primeiro passo para a criação de redes pessoais e profissionais de aprendizagem que procuram desenvolver nos sujeitos capacidades e competências e que se suportam na sua motivação para uma participação ativa e continuada, na perspetiva da aprendizagem ao longo da vida como resposta às exigências da sociedade atual.
Tendo em vista este objetivo, a autora considera que o conceito de self directed learning (SDL - aprendizagem autodirigida) é fundamental. Sobre este conceito, são destacadas três dimensões: a dimensão psicológica que remete para o controlo psicológico sobre a própria aprendizagem e que envolve aspetos da personalidade, de motivação, processos cognitivos e metacognitivos; a dimensão pedagógica que controla o processo de aprendizagem e a dimensão social que congrega variáveis contextuais, situacionais e interações em contextos informais ou formais. Verifica-se também que a autodiretividade da aprendizagem requer uma determinada maturidade cognitiva mais frequentemente encontrada nos adultos e em sujeitos com elevado nível de instrução, o que conduz à importância da promoção  da autodiretividade na aprendizagem e da personalização do ensino e da aprendizagem, fundamento dos PLE’s.
Os papéis e as tarefas de e-moderação e de e-mediação são fatores cruciais para o sucesso da implementação de comunidades de aprendizagem online. Deste modo, as características dos ambientes de aprendizagem, os aspetos motivacionais, as literacias e capacidades exigidas, as atividades a desenvolver e as questões com a autoria, a privacidade e a ética, são domínios a ter em conta para criar ambientes com componentes e condições favoráveis ao crescimento cognitivo dos aprendentes. A acrescer a estes fatores a autora refere dois outros aos quais o aprendente deve dar atenção: a dimensão semiótica, relativa à forma de disseminação da informação, ferramentas e formatos utilizados, forma de armazenamento e a dimensão económica, que diz respeito ao valor do conhecimento e à relação custo-benefício, tão importante na atual sociedade de matriz financeira. Relativamente a este aspeto, há que questionar a desvalorização da aprendizagem informal não certificada e insistir na questão da avaliação como meio de validar aprendizagens e assim valorizá-las, no sentido de adquirirem valor económico para o individuo, o que lhe permitirá tomar decisões informadas sobre o que, quando e como aprender.

Avaliação: Artigo bastante atual sobre o conceito de personal learning environment.
Destaco duas questões abordadas: a questão da aprendizagem autodirigida como instrumento da construção de um PLE e a questão da atribuição de valor económico ao conhecimento. Relativamente à aprendizagem autodirigida, considero relevante a necessidade da personalização do ensino e da aprendizagem, uma vez que o adulto, tendo a consciência do que quer e para quê, encontra-se muito mais motivado para a aprendizagem num ambiente que vá de encontro às suas aspirações e expectativas, construindo-o à medida das suas necessidades. Ao atribuir significado às suas aprendizagens, constrói o seu conhecimento.
No que se refere à atribuição de valor económico ao conhecimento, este é mais um fator de motivação para o sujeito. Sendo uma constatação da realidade dos factos e do funcionamento da sociedade capitalista em que vivemos, conferir carga económica ao conhecimento é uma constatação bastante triste…